segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Melhor Filme 2007

MELHOR FILME
PECADOS ÍNTIMOS
(Little Children, 2006, EUA) - Playarte

Repleto de possibilidades e interpretações, rico em temas bastante relevantes, "Pecados Íntimos" é uma verdadeira análise sobre seres humanos reprimidos, cobrados por suas vidas medíocres e tentados por falsas possibilidades de mudanças e reverter suas vidas de forma revolucinária. Também é um olhar atento para a mediocridade do pensamento da classe média, afogada em seus problemas mínimos e repleta de preconceitos e visões simplistas e distorcidas da sociedade.Acompanhamos o caso extra-conjugal de Brad e Sarah, a difícil readaptação à sociedade do pedófilo Ronnie, a deterioração de casamentos, em uma trama que coloca os adultos como eternas crianças com atitudes nada elaboradas e repletos de inseguranças, falhas e limitações.Da mesma forma que "Pecados Íntimos" consegue ser irônico, ele passa para a sensibilidade da maneira mais natural possível.
Concorreram também: "O Despertar de uma Paixão", "Notas sobre um escândalo", "A Rainha" e "Ratatouille".
Em anos anteriores: "Filhos da Esperança"(2006).

Melhor Diretor 2007

MELHOR DIRETOR
TODD FIELD
PECADOS ÍNTIMOS
Todd Field já havia mostrado toda a sua direção elegante em "Entre quatro paredes", mas em "Pecados Íntimos" atinge um resultado de excelência, maduro e sensível. Desde os movimentos iniciais e a decisão pelo início de cada cena em "Pecados Íntimos", Field soube oferecer elementos e possibilidades diversas ao seu público que foi contemplado com imagens de intimidade e identidade impactantes.A crítica a mediocridade de nossas vidas também preenche o comando dos atores de infinitas possibilidades e Field extrai o melhor de Kate Winslet e Patrick Wilson, e mesmo da discreta participação de Jennifer Connelly.Um verdadeiro maestro.
Concorreram também: Sofia Coppolla por "Maria Antonieta", John Curran por "O Despertar de uma Paixão", Stephen Frears por "A Rainha", Zhang Yimou por "A Maldição da Flor Dourada".
Em anos anteriores: Alfonso Cuarón por "Filhos da Esperança"(2006)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Melhores Roteiros de 2007

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
PETER MORGAN
A RAINHA

Peter Morgan definiu com bastante clareza os momentos íntimos da família real e as jogadas políticas que aconteceram logo após a morte da Princesa Diana em "A Rainha", sabendo dividir com perfeição as duas abordagens, o roteiro segue com uma clareza, apesar de momentos inteiramente subjetivo e que dependiam única e exclusivamente de uma atriz do gabarito de Helen Mirren, que traz interesse e curiosidade à história apesar do tema parecer de um telefilme."A Rainha" soube despir a monarca inglesa com poucos, porém vitais, diálogos e bastante sutileza.Toda a narrativa do roteiro de "A Rainha" segue com uma credibilidade absurda e uma intimidade nunca antes imaginada da família real.
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
TOM PERROTTA e TODD FIELD
PECADOS ÍNTIMOS
A leitura do livro "Criancinhas" é atenta a mínimos detalhes das atitudes dos personagens centrais e de uma criticidade mordaz ao comportamento da classe média norte-americana, conservadora e repleta de traumas íntimos de uma originalidade única, recalques, adultos se comportando como crianças e tentando apagar atos passados cometendo novos erros. A trama proposta por Tom Perrotta é de uma delicadeza e complexidade única, talvez nunca tivesse chegado ao excelente resultado do longa-metragem sem a interferência do escritor no roteiro.Um livro difícil de adaptar, que ganhou um texto à altura de sua obra original sem perder o frescor e adicionar elementos mais ricos ainda, que só o cinema pode proporcionar.

Concorreram a roteiro original também: Brad Bird por "Ratatouille", Emilio Estevez por "Bobby", Eric Roth por "O Bom Pastor" e Adrienne Shelly por "Garçonete".
Concorreram a roteiro adaptado também: Zhang Yimou por "A Maldição da Flor Dourada", Patrick Mabber por "Notas sobre um escândalo", Ron Nyswaner por "O Despertar de uma Paixão",James Vanderbilt por "Zodíaco".
Em anos anteriores: só havia uma categoria para roteiro que abrangia adaptações e obras originais. Michael Arndt por "Pequena Miss Sunshine"(2006).

Melhor Atriz 2007

MELHOR ATRIZ
MARION COTILLARD
por PIAF-UM HINO AO AMOR
A francesa Marion Cotillard praticamente incorpora a cantora Edith Piaf em "Piaf-Um Hino ao Amor", e não só isso consegue acompanhar as diversas fases e idades da cantora na biografia desenhando todo o trajeto da personagem com delicadeza, sem perder o eixo em momento algum.A atuação de Cotillard só cresce, quando auxiliada(e veja bem, apenas auxiliada) pela maquiagem interpreta Piaf nos últimos momentos de sua vida, já com a saúde bastante debilitada.Marion Cotillard é a alma de "Piaf-Um Hino ao Amor", sem a atuação visceral da atriz o filme nunca chegaria ao estágio em que está, rompendo as barreiras da língua e prestes a render uma indicação ao Oscar 2008 para a sua protagonista.Apesar da força de Marion Cotillard e sua interpretação destruidora, não poderia deixar de mencionar duas de suas concorrentes em trabalhos excepcionais de suas carreiras: Judi Dench em "Notas sobre um escândalo" e Helen Mirren de "A Rainha"(vencedora do Oscar deste ano).Realmente um ótimo ano para as atrizes.
Concorreram também: Judi Dench por "Notas sobre um escândalo", Helen Mirren por "A Rainha", Keri Russell por "Garçonete" e Kate Winslet por "Pecados Íntimos".Em anos anteriores: Meryl Streep por "O Diabo veste Prada"(2006)

Melhor Ator 2007

MELHOR ATOR
GERARD BUTLER
por 300
"This is Sparta!!!!", a frase já virou célebre. Para quem duvidava do talento do escocês Gerard Butler por seus desempenhos nada louváveis em "O Fantasma da Ópera" e "Tomb Raider" teve que se curvar e admitir que o rei Leônidas do estilizado épico "300" é o melhor herói que surgiu nos últimos anos no gênero, deixando bem para trás o gladiador de Russell Crowe e o ferreiro de Orlando Bloom, só não aparecerá no Oscar 2008 por pura implicância da Academia com este tipo de produção.Butler deu vigor e espírito de liderança, além de altas doses de sarcasmo e humor(prova do que digo é a bem humorada cena do primeiro encontro entre Leônidas e Xerxes), ao líder dos espartanos.Concorreram também: Joseph Cross por "Correndo com Tesouras", Jake Gyllenhaal por "Zodíaco", Peter O'Toole por "Vênus" e Joaquin Phoenix por "Os Donos da Noite".
Em anos anteriores:
Philip Seymour Hoffman por "Capote"

Melhor Atriz Coadjuvante 2007

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
MICHELLE PFEIFFER
por HAIRSPRAY-EM BUSCA DA FAMA
Velma Von Tussel foi um dos grandes presentes em um ano de retorno e de muito trabalho. Só em 2007, Pfeiffer esteve em outras duas produções "Stardust-O Mistério da Estrela" e "Nunca é tarde para amar", porém Michelle voltou em plena forma mesmo com "Hairspray-Em busca da Fama" nos brindando com uma vaidosa vilã, às voltas com a idade, diretora de uma grande emissora de TV e eterna Miss Baltimore.Nunca vimos Pfeiffer tão completa em cena e tão magnética desde que agradou morcegos e pinguins em "Batman-O Retorno".Velma é tão perversa que parece ter surgido de algum desenho animado, repleta de tiradas cômicas e caricatural na medida exata.
Concorreram também: Nicole Kidman por "A Bússola de Ouro", Rinko Kikuchi por "Babel", Tilda Swinton por "Conduta de Risco" e Robin Wright Penn por "Invasão de domicílio".
Em anos anteriores: Mia Kirschner por "Dália Negra"(2006).

Melhor Ator Coadjuvante 2007

MELHOR ATOR COADJUVANTE
JACKIE EARLE HALEY
por PECADOS ÍNTIMOS


Jackie Earle Haley conseguiu fazer do pedófilo Ronnie, um indivíduo cheio de complexidade, falhas e trouxe uma humanidade e sensibilidade absurdas para o personagem, traços definidos por Tom Perrotta e Todd Field no roteiro de "Pecados Íntimos". Haley transformou Ronnie em um homem frágil, com evidentes traços infantis. Uma das composições mais ricas das indicadas ao Oscar deste ano, basta assistirmos às últimas cenas de seu personagem no filme para entendermos a força do trabalho de Haley.Irretocável.
Concorreram também: Robert Downey Jr. por "Zodíaco", Brad Pitt por "Babel", Michael Sheen por "A Rainha" e John Travolta por "Hairspray-Em busca da Fama". Em anos anteriores: Jack Nicholson por "Os Infiltrados"(2006).

sábado, 29 de dezembro de 2007

Melhores de 2007 - Técnicos, artísticos e outros

MELHOR EDIÇÃO
BOBBY
de Richard Chew
A edição do filme de Emílio Estevez foi crucial e executada de maneira impecável no último momento da trama, definindo o espaço correto para cada núcleo de personagem e seus momentos dramáticos na noite do assassinato do candidato a presidência Robert F.Kennedy na cozinha do Ambassador Hotel. Também foi essencial para o bom desenvolvimento do filme a mescla entre cenas reais do fatídico dia na vida de Kennedy com as filmadas por Estevez com seu elenco. Concorriam também: "Babel", "Notas sobre um escândalo", "Pecados Íntimos" e "A Rainha".
Em anos anteriores:É a primeira vez que esta categoria é citada.
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
A PELE
de Nick Ralbovsky
Foi de suma importância a direção de arte aplicada e fascinante na elaboração do apartamento de Lionel(Robert Downey Jr.) para que, assim como Diane Arbus(Nicole Kidman), tivéssemos a mesma curiosidade pelo universo bizarro que a fotógrafa descobre no decorrer de "A Pele". A morada de Lionel é um mundo intrigante, onde cada cõmodo, cada objeto é uma nova descoberta, bem diferente, por exemplo, da casa de Diane, clean e absolutamente perfeita na disposição de seus objetos de cena.
Concorriam também:
"Bobby", "A Bússola de Ouro", "Dreamgirls-Em busca de um sonho" e "A Maldição da Flor Dourada".
Em anos anteriores: "Filhos da Esperança"(2006)
MELHOR FOTOGRAFIA
ZODÍACO
de Harris Savides
As tonalidades amareladas deram a "Zodíaco" ares de anos 70, sendo importantíssima para o público adentrar na obscura história acerca da busca interminável pelo serial killer apelidado de Zodíaco. A fotografia do filme é quase tão importante quanto a direção de David Fincher e se adequa com perfeição com a proposta do thriller.
Concorriam também: "Cartas de Iwo Jima", "A Conquista da Honra", "O Despertar de uma Paixão" e "A Maldição da Flor Dourada".
Em anos anteriores:
"Memórias de uma gueixa"(2006).
MELHOR FIGURINO
A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA
de Yee Chung Man
O figurino de "A Maldição da Flor Dourada" foi indicado ao Oscar, mas perdeu para o de "Maria Antonieta". Acredito que a combinação de cores e a riqueza de detalhes do figurino oriental levam vantagem com relação ao de "Maria Antonieta". O figurino ganha proporções extraordinárias não só nas peças da imperatriz interpretada por Gong Li, como no uniforme dos soldados e nos momentos finais do filme, onde toda a família real aparece vestindo roupas eminentemente douradas.
Concorreram também: "
Bobby", "A Bússola de Ouro", "Dreamgirls- Em busca de um sonho" e "Maria Antonieta".
Em anos anteriores: "Memórias de uma gueixa"(2006)
MELHOR TRILHA SONORA
ALEXANDRE DESPLAT
A RAINHA
Este foi o ano das composições de Alexandre Desplat.Mesmo mostrando toda a sua competência em "O Despertar de uma Paixão" e "A Bússola de Ouro" é a trilha de "A Rainha" que não sai da cabeça. O compositor foi inquestionavelmente genial ao criar passo a passo a música que segue a família real nos dias que sucederam a morte da Princesa Diana.
Concorreram também: Carter Burwell por "A Pele", Alexandre Desplat por "O Despertar de uma Paixão", Philip Glass por "Notas sobre um escândalo" e Gustavo Santaolalla por "Babel".
Em anos anteriores: Gustavo Santaolalla por "O Segredo de Brokeback Mountain"(2006).
MELHOR MAQUIAGEM
APOCALYPTO

de Daniel Parker

A maquiagem do mais recente filme de Mel Gibson possibilitou a recriação da população maia de forma bastante crível, seja com as pinturas no corpo, até os adereços presos na pele.Muito mais do que o roteiro possibilitou, o lado técnico da produção nos transporta para a realidade maia e um dos recursos principais, o mais perfeito de todos foi a maquiagem.
Concorreram também: "Hairspray - Em busca da Fama", "Piaf - Um Hino ao Amor", "Stardust - O Mistério da Estrela" e "Uma Garota Irresistível".
Em anos anteriores: "Memórias de uma gueixa".

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O Amor nos tempos do Cólera

The love in time of cholera, 2007. Direção:Mike Newell. Elenco: Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Benjamin Bratt, Fernanda Montenegro, Unax Ugalde, Liev Schreiber, Catalina Sandino Moreno, John Leguizamo.

Desastrosa, simplesmente desastrosa adaptação. Por mais bem intencionado que esteja o inglês Mike Newell em adaptar um romance latino-americano do escritor Gabriel García Marquez "O Amor nos tempos do Cólera", durante toda a projeção o diretor não consegue dimensionar a avassaladora paixão de Florentino pela bela Fermina, não só ele como o roteiro de Ronald Harwood e o casal de protagonistas Javier Bardem e Giovanna Mezzogiorno, muito mais da parte dela, é claro, do que dele.

A idéia é acompanhar a vida do apaixonado Florentino que espera por anos a fio sua amada Fermina, com quem nunca pôde se casar por proibição do pai da moça, ficar viúva, para que assim possa ter um contato maior com o grande amor de sua vida.

Newell apresenta mais uma vez uma direção pouco inspirada, com um elenco escalado de maneira confusa( a história se passa na Colômbia e temos intérpretes espanhóis, italianos, brasileiros, colombianos, todos interpretando personagens de uma mesma nacionalidade), na verdade este aspecto seria irrelevante se Newell soubesse comandar com maestria seus atores, o que não acontece. É o caso, por exemplo, de Giovanna Mezzogiorno, uma das mais fracas interpretações de todo o filme, principalmente quando acompanha Fermina com mais idade, o que só contribuiu para a falta de magnetismo do casal principal, composto por ela e Bardem( ele está muito bem), e acaba comprometendo o resultado final do longa já que toda a história gira em torno desse amor de Florentino por Fermina.O exagero de cenas cômicas protagonizadas por Javier Bardem também me incomodou muito pela falta de senso de oportunidade do diretor e do roteirista.

Sobre a participação de nossos brasileiros no longa, parece ser umas das poucas coisas que se salvam. Fernanda Montenegro está muito bem e inacreditavelmente à vontade interpretando em idioma estrangeiro e a fotografia de Alfonso Beato é muito bem cuidada dando destaque à cores tropicais.

"O Amor nos tempos do Cólera" é um filme que cheira a mofo. Apesar das boas intenções do inglês Mike Newell, o longa não consegue atingir emocionalmente o público que sai absolutamente indiferente a história de Florentino e Fermina, ou seja, Newell não conseguiu transmitir para as telas a força motriz do romance de Gabriel García Marquez.

O Vigarista do Ano

The hoax, 2007. Direção: Lasse Hallstrom. Elenco: Richard Gere, Alfred Molina, Hope Davis, Marcia Gay-Harden, Stanley Tucci, Julie Delpy.

Está complicado para Lasse Hallstrom conseguir fazer filmes bem-sucedidos depois que a Miramax perdeu o prestígio de outrora. Hallstrom conseguiu, consecutivamente, em 1999 e 2000 que dois de seus filmes conseguissem indicações ao Oscar de Melhor Filme, tratam-se de "Regras da Vida" e a fábula "Chocolate". São trabalhos modestos, corretos em suas narrativas, mas nada que merecesse o alarde que uma indicação ao prêmio provoca, é claro que por trás disso há o dedo de Harvey Weinstein. Com a perda da influência da Miramax, as falhas nas histórias dirigidas por Hallstrom foram aparecendo e os fracassos vieram com "Chegadas e Partidas"(para mim o melhor filme do diretor, ainda não descoberto) e "Casanova"."O Vigarista do Ano" surgiu de maneira despretenciosa, rendendo ótimos elogios não só ao filme, como também a Richard Gere, seu protagonista.

"O Vigarista do Ano" narra as peripércias de Cliffton Irving, um escritor em busca de oportunidade, que arma todo um plano para convencer uma editora a publicar uma biografia, escrita por ele, supostamente autorizada, do bilionário Howard Hughes(personagem interpretado por Leonardo DiCaprio em "O Aviador" de Martin Scorsese em 2004, lembram?).Para isso Cliffton afirma por meio de provas falsificadas e uma série de estratagemas que Hughes entrou em contato com ele, autorizando-o a elaborar o livro sobre sua vida. Como Cliffton sustenta sua mentira é o que "O Vigarista do Ano" se propõe a contar.

"O Vigarista do Ano" começa muito bem, lembrando até o "Prenda-me se for capaz" do Spielberg em sua proposta. É muito interessante acompanhar as manobras de Cliffton durante o processo de elaboração da suposta biografia autorizada de Howard Hughes, a semelhança reside na perspicácia do personagem de Gere, assim como fez o personagem de Leonardo DiCaprio em "Prenda-me se for capaz", em arquitetar toda uma rota e se desvencilhar de armadilhas criadas pelo simples fato de que tudo que gira em torno da biografia escrita por Cliffton é mentira. O elenco está excelente, com destaque para Richard Gere, que demonstra nos últimos anos um crescimento artístico louvável(vide sua interpretação em "Chicago" de 2002, por exemplo). Os coadjuvantes de Gere também roubam a cena é o caso de Alfred Molina, interpretando o parceiro de Clifford em sua farsa, e Hope Davis. Lamento apenas a participação de Julie Delpy, apesar de seu personagem ser essencial no momento final de "O Vigarista do Ano", ela faz parte de um dos pontos negativos do filme.

O roteiro de William Wheeler apresenta a falha que a maiorias dos trabalhos de Lasse Hallstrom apresentam no miolo de suas narrativas, anda em círculos, apresentando cenas desnecessárias pela banalidade. O mesmo pode-se dizer da trama paralela a interessante saga na construção do livro sobre Howard Hughes, um caso extraconjugal de Clifford que o coloca em conflito com a personagem de Marcia Gay-Harden, sua esposa.

Outro aspecto interessante de "O Vigarista do Ano" é a abordagem de Howard Hughes, personagem vital da história norte-americana e que acompanhamos na excelente obra de Martin Scorsese "O Aviador". O filme de Lasse Hallstrom apresenta o personagem sem nunca trazê-lo representado por um ator, mas ele é sempre mencionado pelos outros personagens, principalmente por Clifford, o que só ajuda no entendimento da figura estranha de Hughes. Para quem se interessou por Hughes, "O Vigarista do Ano" não deixa de ser um extensão ou complementação de "O Aviador".

Apesar da trama interessante e muito bem desenvolvida, "O Vigarista do Ano" cansa, como todo filme do Lasse Hallstrom, pela banalidade que toma conta dos acontecimentos do filme bem no meio da narrativa.É mais um trabalho interessante técnica e artisticamente, pois tanto os atores quanto direção de arte e figurino estão de parabéns, mas perde o vigor depois de cinquenta minutos, recuperando fôlego somente nos quinze minutos finais. Apesar das críticas, o melhor trabalho do diretor continua sendo "Chegadas e Partidas", e "O Vigarista do Ano" apesar de inovar pela proposta, no currículo do diretor, apresenta os vícios da maioria de seus filmes.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A Bússola de Ouro (em definitivo)

The Golden Compass, 2007. Direção: Chris Weitz. Elenco: Dakota Blue Richards, Nicole Kidman, Daniel Craig, Eva Green, Sam Elliott, Jim Carter, John Courtenay, Ben Walker, Christopher Lee, Simon McBurney, Jack Shepherd, Clare Higgins. Vozes: Ian McKellen, Freddie Highmore, Kristin Scott Thomas, Kathy Bates, Ian McShane.

Adaptações sofrem uma cobrança ao meu ver injusta por parte do público e da crítica, que esperam uma fidelidade cega, esperam que o longa que toma como inspiração algum livro ou mesmo revista em quadrinho, siga todos os passos ditados pelo autor original.Entendo que o que deve ser mantido nesse tipo de empreitada cinematográfica é o espírito de suas obras cinematográficas, se o roteirista e diretor conseguem chegar a uma equivalência do filme com o que é proposta na essência do livro, a adaptação já está mais do que válida. Não me interessa se Chris Weitz alterou a ordem dos acontecimentos ou trocou os sujeitos autores de certos acontecimentos em "A Bússola de Ouro", o que interessa é que Weitz conseguiu criar uma aventura original sem apelar para a nossa memória, trazendo elementos de séries já estabelecidas no mercado, como "O Senhor dos Anéis" e "Harry Potter", o mundo de Lyra existe por si só.

Apesar da correria que Chris Weitz imprimiu aos acontecimentos em "A Bússola de Ouro", há um certo fascínio e empolgação na jornada de Lyra que não se esconde, nem tem medo de utilizar todos os recursos técnicos à sua disposição como direção de arte, figurino,efeitos visuais e trilha sonora(mais uma vez: Deus abençoe Alexandre Desplat!) absolutamente impecáveis. Elementos vitais de toda a obra de Philip Pullman como o relacionamento entre os humanos e seus daemons(a pronúncia certa é "dimons"), entre Lyra e o urso polar Iorek e entre Lyra e a Sra.Coulter são acentuados pelo roteiro que prioriza os pontos em questão. Talvez pecando por estabelecer prioridades em uma narrativa com apenas duas horas de duração( acreditem para explorar todo o universo proposto por Philip Pullman em "A Bússola de Ouro" necessitaríamos muito mais do que isso) e mencionar rapidamente determinados acontecimentos, Chris Weitz não tenha conseguido fazer com que o público não familiarizado com os livros assimile de imediato os personagens e os detalhes da trama.Talvez as cenas cortadas e deixadas para a possível continuação, "A Faca Sutil", fizessem bastante diferença no resultado final de "A Bússola de Ouro".

Aproveitando a oportunidade que lhe é dada, ao protagonizar a heroína da pretensa trilogia, Dakota Blue Richards confere a Lyra uma astúcia e petulância deliciosas.No outro lado da moeda temos Nicole Kidman, desenhando todas as nuances de uma vilã nada superficial, cheia de mistérios e motivada por um elo entre ela e Lyra. A Sra.Coulter de Nicole Kidman é uma das melhores composições da atriz em muitos anos, a vilã e perigosa, sedutora e extremamente sagaz com as palavras. Apesar dos poucos minutos em cena, Daniel Craig também soube captar a essência de Lorde Asriel, mesclando o lado protetor e severo como tio de Lyra.

"A Bússola de Ouro" tem seus defeitos, mas ainda assim apresenta melhor resultado do que a última grande fantasia exibida nos cinemas, "As Crônicas de Nárnia:O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa", lançada um ano depois de terminada a trilogia"O Senhor dos Anéis", a fantasia da Disney não fugiu da necessidade de beber da fonte de Peter Jackson, sem a menor necessidade já que tinha excelente material em mão. Original e divertido como aventura de final de ano, "A Bússola de Ouro" abre possibilidade para que o universo de Philip Pullman possa ser explorado de forma mais dedicada em continuações, "A Faca Sutil" e "A Luneta Âmbar"(esperamos que a bilheteria mundial ultrapasse os U$180 Milhões gastos e que a venda de dvds mostre que a trilogia pode ser rentável).Consertos e ajustes são mais do que bem vindos e até mesmo uma diminuição nos custos das próximas produções, mas "A Bússola de Ouro" não deixa de ser um filme agradável.

Despedida em Las Vegas

Leaving Las Vegas, 1995. Direção:Mike Figgis. Elenco: Nicolas Cage, Elisabeth Shue, Julian Sands.
Me surpreendi. "Despedida em Las Vegas" não é apenas o filme que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Nicolas Cage, como também uma interessante, envolvente e comovente história de amor. Assemelha-se a "Encontros e Desencontros" na sua proposta de narrativa, com diálogos fragmentados e cenas sem referência, onde o espectador tem que montar a linha cronológica de cada acontecimento mencionado.Também assemelha-se ao filme da Sofia Coppola por trazer como protagonista, e par romântico, indivíduos completamente perdidos em sua trajetória, que talvez tenham encontrado um ao outro em momentos errados de suas vidas.Sabe aquela história da pessoa certa na hora errada.
Ele um roteirista fracassado em Hollywood, com um plano suicida definido em mente. Ela é uma prostituta explorada pelo seu cafetão com sérios problemas emocionais. O encontro é magnífico. Há um entendimento de almas bem delineado. Nada de busca pela redenção. Entender o outro pelo que ele é, aceitá-lo e dar apoio, sentir que há alguém do lado.Roteiro desenvolvido em sua plenitude por Mike Figgis. Cage muito bem como o roteirista autodestrutivo, mas confesso que Elizabeth Shue ultrapassa todas expectativas e traz uma interpretação absolutamente comovente, completa. Me digam o que foi feito dessa atriz? Sua carreira virou pó.Depois de ser indicada ao Oscar por esse filme, amargou um esquecimento que já dura anos.
Não importa. Basta saber que Elizabeth Shue está incrível, sem nunca cair no clichê ridículo das interpretações de uma prostituta sofrida.Combinação perfeita de interpretação, direção, roteiro e edição.E olha que essa mistura é muito difícil de ser feita, ainda mais proporcionando a qualidade que "Despedida em Las Vegas" proporciona.

Melhores de 2007 - Cinema Nacional

MELHOR FILME: Saneamento Básico - O Filme

É a primeira vez que faço uma versão nacional da premiação dos melhores do ano pelo Espaço Lumière e desde já, acredito que esta seje bastante polêmica. Apesar do apelo e de toda a comoção gerada no país com o longa "Tropa de Elite", que de fato é um longa muito bom e apresenta temas bastante relevantes de forma adequada, o filme dirigido por José Padilha não exerceu tanto impacto em mim, quanto a bem-humorada e inteligente iniciativa de Jorge Furtado em "Saneamento Básico - O Filme". O longa é o mais inspirado da carreira do diretor, sabe utilizar da melhor maneira possível os recursos que tem, apresenta uma narrativa deliciosa de ser acompanhada e é uma grande e apaixonada homenagem ao cinema.
Concorriam também: "Baixio das Bestas" e "Tropa de Elite".
MELHOR DIREÇÃO: Cláudio Assis por "Baixio das Bestas"

O pernambucano é um dos diretores mais polêmicos que o Brasil já teve. Em seu segundo longa, Assis retira o melhor de seus atores, causando o impacto que se objetivou a causar em cenas fortes.Não tem como sair de uma sessão de "Baixio das Bestas" indiferente ao que é apresentado na tela. Por vezes lento, em outros momentos angustiante ou mesmo inquieto, toda a proposta de Assis é alcançada com grande êxito em "Baixio das Bestas".
Concorriam também: Jorge Furtado por "Saneamento Básico - O Filme" e José Padilha por "Tropa de Elite".
MELHOR ROTEIRO(ADAPTADO OU NÃO): Jorge Furtado por "Saneamento Básico - O Filme"

Furtado alterna drama e comédia em um trabalho pessoal e sagaz em "Saneamento Básico - O Filme", cria personagens interessantes e humanos. Em "Saneamento Básico" os acontecimentos fluem de forma extraordinária e as palavras entregam uma série de pistas sobre o significado de cada uma das figuras que surgem na tela.
Concorriam também: Hilston Lacerda por "Baixio das Bestas" e Bráulio Mantovani, Rodrigo Pimentel e José Padilha por "Tropa de Elite".
MELHOR ATRIZ: Fernanda Torres por "Saneamento Básico - O Filme"

Fernanda Torres compõe uma mulher comum que se descobre cineasta-roteirista. A evolução da personagem é feita de forma brilhante pela atriz que faz de Marina uma mulher comum descobrindo a magia do cinema. A combinação entre momentos cômicos e de profunda emoção cabem como uma luva para uma atriz como Fernanda Torres que a utiliza muito bem em "Saneamento Básico - O Filme".
Concorriam também: Guilhermina Guinle por "Inesquecível" e Negra Li por "Antônia".
MELHOR ATOR: Wagner Moura por "Tropa de Elite"

Wagner Moura representa uma das grandes forças que produziu o sucesso de "Tropa de Elite" e não é exagero algum falar isso. O ator construiu um dos personagens ícones do cinema nacional, repleto de dilemas, bastante complexo, sem sair do eixo em momento algum. Às voltas com o sistema e o futuro de sua família, o Capitão Nascimento de Moura não é uma figura pop, nem um herói a ser idolatrado, mas sim um homem com falhas e acertos determinantes.
Concorriam também: Wagner Moura por "Saneamento Básico - O Filme" e Lázaro Ramos por "Ó paí, ó!".
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Dira Paes por "Baixio das Bestas"

Em "Baixio das Bestas", Dira Paes é protagonista da cena mais violenta que já presenciei no cinema: sua personagem, uma prostituta, é estuprada com um cabo de vassoura por um grupo de rapazes. Mas não é só pela polêmica que o trabalho de Dira merece ser mais do que reconhecido neste filme, ela interpreta brilhantemente uma prostituta que não se coloca como vítima da sociedade e que até sente um certo prazer em dizer como ganha a vida.Mais um trabalho impecável no currículo de Dira Paes.
Concorriam também: Quelynah por "Antônia" e Maria Ribeiro por "Tropa de Elite".
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Caio Blat por "Baixio das Bestas"

Caio Blat tem deixado seu nome marcado na história do cinema nacional por suas escolhas ousadas, nada convencionais para um ator tarimbado com o rótulo de "galã global".Em "Baixio das Bestas", Blat interpreta um jovem despreocupado e inconsequente, sem objetivos na vida, desajustado e sem um vínculo mais sólido com a família.Blat não tem pudores em retratar mais uma figura estranha do universo proposto por Cláudio Assis.
Concorriam também: Milhem Cortaz por "Tropa de Elite" e Paulo José por "Saneamento Básico - O Filme".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Ainda sobre Encantada em português

Só estou escrevendo este post para responder a surpreendente quantidade de comentários que fuzilaram e, sinceramente, não entenderam o significado das minhas palavras.
Algumas pessoas entraram no blog e comentaram sobre o texto que fiz logo depois que assisti a sessão de "Encantada", na versão dublada em pré-estréia, aqui em Salvador. Foram levantados alguns argumentos que desejo responder neste post.
O primeiro deles, na verdade trata-se de uma pergunta, se tenho tanta rejeição a filmes dublados por que fui conferir uma versão de "Encantada" dublada? Realmente foi mancada minha, mas a ansiedade era tanta em conferir um dos filmes mais elogiados do ano e a interpretação em evidência de Amy Adams, e sabendo de antemão que não seria disponibilizada nos cinemas uma versão original, com legendas, que decidi arriscar, esperando que sendo um filme live action, pelo menos as músicas seriam mantidas na versão em inglês, o que para mim seria o mais sensato, como aconteceu com vário musicais que tiveram suas versões em português, manter ao menos as canções legendadas. Quando "Encantada" estreou constatei a minha certeza, em Salvador só passavam cópias dubladas nos cinemas, a única legendada estava em cartaz em São Paulo.
Quanto às afirmações dando a entender que seria implicância minha com os longas dublados.É apenas um ponto de vista e já dei minha argumentação no post em questão.Por mais que os dubladores se esforcem, eles nunca alcançarão a exata interpretação dos atores, é como se o filme tivesse outros intérpretes.Longas com pessoas de carne e osso tornam-se artificiais quando são dublados.
O último ponto que quero discutir é a minha última e derradeira sentença, na verdade um conselho. Muitos acharam um absurdo eu ter dito para os leitores não assistirem a versão dublada, afirmando que as pessoas não deveriam se influenciar pelas opiniões alheias e assistir o filme dublado mesmo assim porque era maravilhoso. O que faço aqui, e acredito que todos os blogueiros podem concordar, é dar minha opinião e meu ponto de vista sobre as coisas. Sempre que escrevo sobre filmes, minha paixão, nunca tenho como objetivo querer mudar a opinião de alguém ou manipular a visão de quem lê o blog(mesmo sabendo que pode acabar acontecendo, mas não posso utilizar isso como argumento para calar a minha voz diante do que vejo e das experiências que passo), mas sim deixar bem claro meu ponto de vista sobre o filme em questão, argumentando os pontos negativos e positivos, e mesmo que as pessoas não concordem ainda assim é o meu ponto de vista. Para mim uma das falhas da versão dublada de "Encantada" foi a adaptação das músicas para o português, o que para mim é vital na apreciação de algum longa estrangeiro, para algumas pessoas podem não fazer a mínima diferença, mas fica claro minha visão sobre o ponto em questão para que os leitores do espaço, façam o que bem entender com a informação.
Que fique claro que este não é um post desaforado, para os que me criticaram pelo meu posicionamento, é apenas mais um espaço aberto para aprofundar e esclarecer alguns pontos que talvez tenha deixado nebuloso quando escrevi sobre "Encantada".No mais divirtam-se com o filme, que é bastante satisfatório, e continuem lendo e divergindo quando acharem necessário.Só não levem tão a sério a opinião deste reles mortal.
W.T.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Melhores de 2007 - Espaço Lumière - Filmes

FILME:
O Despertar de uma Paixão
Notas sobre um escândalo
Pecados Íntimos
A Rainha
Ratatouille



Melhores de 2007 - Espaço Lumière - Direção,Roteiro e Edição

Direção:
Sofia Coppola por "Maria Antonieta"
John Curran por "O Despertar de uma Paixão"
Stephen Frears por "A Rainha"
Todd Field por "Pecados Íntimos"
Zhang Yimou por "A Maldição da Flor Dourada"
Roteiro Original:
Brad Bird por "Ratatouille"
Emilio Estevez por "Bobby"
Peter Morgan por "A Rainha"
Eric Roth por "O Bom Pastor"

Adrienne Shelly por "Garçonete"Roteiro Adaptado:
Todd Field e Tom Perrota por "Pecados Íntimos"
Zhang Yimou por "A Maldição da Flor Dourada"
Patrick Mabber por "Notas sobre um escândalo"
Ron Nyswaner por "O Despertar de uma Paixão"

James Vanderbilt por "Zodíaco"Edição:
Douglas Crise e Stephen Mirrione por "Babel"
Richard Chew por "Bobby"
John Bloom por "Notas sobre um escândalo"
Leo Trombetta por "Pecados Íntimos"
Lucia Zucchetti por "A Rainha"

Melhores de 2007 - Espaço Lumière - Atores

Atriz:
Marion Cotillard por "Piaf: Um Hino ao Amor"
Judi Dench por "Notas sobre um Escândalo"
Helen Mirren por "A Rainha"
Keri Russell por "Garçonete"
Kate Winslet por "Pecados Íntimos"
Ator:
Gerard Butler por "300"
Joseph Cross por "Correndo com Tesouras"
Jake Gyllenhaal por "Zodíaco"
Peter O'Toole por "Vênus"
Joaquin Phoenix por "Os Donos da Noite"


sábado, 22 de dezembro de 2007

Melhores de 2007 - Espaço Lumière - Atores coadjuvantes

Atriz Coadjuvante:
Nicole Kidman por "A Bússola de Ouro"
Rinko Kikuchi por "Babel"
Michelle Pfeiffer por "Hairspray:Em busca da Fama"
Tilda Swinton por "Conduta de Risco"
Robin Wright Penn por "Invasão de Domicílio"
Ator Coadjuvante:
Robert Downey Jr. por "Zodíaco"
Jackie Earle Haley por "Pecados Íntimos"
Brad Pitt por "Babel"
Michael Sheen por "A Rainha"
John Travolta por "Hairspray:Em busca da Fama"

Melhores de 2007- Espaço Lumière - Técnicos, Artísticos e outros

Direção de Arte:
Colin de Rouin por "Bobby"
Richard L.Johnson, Chris Lowe e Andy Nicholson por "A Bússola de Ouro"
Tomas Voth por "Dreamgirls:Em busca de um sonho"
Huo Tingxiao por "A Maldição da Flor Dourada"
Nick Ralbovsky por "A Pele"

Fotografia:
Tom Stern por "Cartas de Iwo Jima"
Tom Stern por "A Conquista da Honra"
Stuart Dryburgh por "O Despertar de uma Paixão"
Zhao Xiaoding por "A Maldição da Flor Dourada"
Harris Savides por "Zodíaco"

Figurino:
Julie Weiss por "Bobby"
Ruth Myers por "A Bússola de Ouro"
Sharen Davis por "Dreamgirls:Em busca de um sonho"
Milena Canonero por "Maria Antonieta"
Yee Chung Man por "A Maldição da Flor Dourada"

Trilha Sonora Original:
Carter Burwell por "A Pele"
Alexandre Desplat por "O Despertar de uma Paixão"
Alexandre Desplat por "A Rainha"
Philip Glass por "Notas sobre um Escândalo"
Gustavo Santaolalla por "Babel"
Maquiagem:
Daniel Parker por "Apocalypto"
Colin Penman por "Hairspray:Em busca da Fama"
Didier Laverge por "Piaf:Um Hino ao Amor"
Lesley Smith e Paula Price por "Stardust:O Mistério da Estrela"
Carla Brenholtz por "Uma Garota Irresistível"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

No Vale das Sombras

In the valley of Elah, 2007. Direção:Paul Haggis. Elenco: Tommy Lee Jones, Charlize Theron, Susan Sarandon, James Marsden, Jason Patric, Josh Brolin, Frances Fisher.

Não concordo com os que criticaram alguns dos trabalhos anteriores do roteirista e diretor Paul Haggis, atribuindo às pequenas e consideráveis doses de patriotismo de seus filmes como aspecto negativo das histórias propostas pelo diretor.Assim como aconteceu com "A Conquista da Honra", filme roteirizado por Haggis e dirigido por Clint Eastwood, o roteirista não esconde o orgulho que seus personagens têm de sua pátria e mesmo assim consegue expor com uma clareza absurda os tumores da sociedade norte-americana.No mais, não há problema algum em mostrar respeito e amor pelo seu país, desde que possamos enxergar as ações equivocadas dos homens que o governam.

"No Vale das Sombras" é o primeiro trabalho de Haggis na direção e no roteiro depois de vencer o Oscar com "Crash-No Limite". Haggis demonstra muito mais maturidade e domínio na direção de "No Vale das Sombras" do que apresentou em seu primeiro longa-metragem.Mesmo assim o filme sofre com alguns problemas de ritmo se arrastando em algumas passagens e o tom emocional evidente em cada palavra do roteiro de Haggis torna-se muito mais presente com um diretor como Clint Eastwood comandando o elenco, como aconteceu com o roteiro de Haggis de 2004, "Menina de Ouro".Ainda falta habilidade ao diretor Haggis, apesar da melhora considerável.

O ponto de vista do diretor sobre a guerra no Iraque é muito mais emocional do que político, se aprofundar nos dramas dos personagens desta guerra, para ser mais preciso no policial aposentado à procura do filho desaparecido recém-chegado da guerra, vivido de forma magistral por Tommy Lee Jones.Haggis analisa a sociedade norte-americana pós-11 de setembro, que vangloria-se de uma falsa coragem e heroísmo na figura dos jovens que foram enfrentar uma guerra sem clara noção de seus motivos.

Como mencionei o Sr.Jones, este está absolutamente impecável.Tommy Lee Jones interpreta um homem de emoções contidas com um semblante de tímido desespero, rude a sua maneira, procurando não desabar em grandes explosões emocionais para demonstrar racionalidade nas investigações da misteriosa morte de seu filho. Depois de alguns minutos de projeção somos apresentados à policial interpretada por Charlize Theron, subestimada no seu local de trabalho e que toma nas rédeas o caso juntamente com o pai do desaparecido.Theron está discreta, porém incrivelmente eficaz.Com aparições esporádicas, Susan Sarandon interpreta a esposa de Tommy Lee Jones, externando nas poucas e ótimas cenas que tem a dor de uma matriarca em frangalhos.

Apesar da dificuldade em prender a atenção do público em alguns momentos, "No Vale das Sombras" é mais uma amostra de como Paul Haggis consegue dominar a arte de arrancar emoções das platéias, envolvendo o público com os dramas de seus personagens.Ótimo desempenho do trio central e ponto de vista bastante relevante.A cena final é um dos melhores momentos do filme: a bandeira norte-americana de cabeça para baixo, evidente sinal de que o país, ou melhor, a humanidade precisa de ajuda urgente.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Melhores de 2007 - Cinema Nacional

FILME:
"Baixio das Bestas"
"Saneamento Básico - O Filme"
"Tropa de Elite"ROTEIRO(original ou não):
Jorge Furtado por "Saneamento Básico - O Filme"
Hilton Lacerda por "Baixio das Bestas"

Bráulio Mantovani, Rodrigo Pimentel e José Padilha por "Tropa de Elite"

DIREÇÃO:
Cláudio Assis por "Baixio das Bestas"
Jorge Furtado por "Saneamento Básico - O Filme"
José Padilha por "Tropa de Elite"ATRIZ:
Guilhermina Guinle por "Inesquecível"
Negra Li por "Antônia"
Fernanda Torres por "Saneamento Básico - O Filme"ATOR:
Wagner Moura por "Saneamento Básico - O Filme"
Wagner Moura por "Tropa de Elite"

Lázaro Ramos por "Ó paí, ó!" ATRIZ COADJUVANTE:
Dira Paes por "Baixio das Bestas"
Quelynah por "Antônia"
Maria Ribeiro por "Tropa de Elite" ATOR COADJUVANTE:
Caio Blat por "Baixio das Bestas"
Milhem Cortaz por "Tropa de Elite"

Paulo José por "Saneamento Básico - O Filme"

Os vencedores serão conhecidos no dia 28 de Dezembro aqui no Espaço Lumière!