
Quando "Crepúsculo" foi lançado ano passado, os defeitos da produção eram mais do que visíveis(isto é, se você não é fã da saga ou do Robert Pattison e tem o mínimo de bagagem cinematográfica). O filme de Catherine Hardwicke era fraco em suas sequências de ação e efeitos especiais, mas o calcanhar de Aquiles estava no roteiro e na fragilidade dos argumentos da trama literária, mas ainda assim a diretora conseguiu fazer um trabalho interessante ao administrar o romance entre os protagonistas em cenas bonitas e sensíveis.
Bom, passado um ano, "Crepúsculo" se tornou um fenômeno, mas estava longe de ser um filme memorável - repetindo, a não ser que você seja uma fã histérica da obra, o que quase se confunde com as apaixonadas pelo Robert Pattison - fazendo com que boas expectativas fossem reservadas para sua continuação, "Lua Nova", que além de ter mais dinheiro no cofre seria orquestrada por um novo diretor, Chris Weitz de "A Bússola de Ouro", quem sabe assim as coisas não mudavam?
Ledo engano, "Lua Nova" é uma continuação inferior que deixa de lado todo o romantismo juvenil e, de certa maneira, poético de "Crepúsculo", com uma narrativa lenta e, por isso mesmo, um pouco ousada para o público que visava, realçando ainda mais o vazio do argumento de toda a saga e a incoerência e ingenuidade na construção de seus personagens. Nesta nova trama vilões apagados são inseridos(um verdadeiro desperdício ter um ator como Michael Sheen tão mal aproveitado), a mitologia do lobisomem é abordada de maneira tão equivocada quanto a do vampiro no primeiro filme e as decisões dos personagens tornam-se tão incompreensíveis quanto a necessidade de Weitz, e espertamente dos produtores, de insistir em transformar a personagem de Kristen Stewart em quase que uma projeção das fãs adolescentes que sonham com Robert Pattison ou Taylor Lautner.
Distante da metáfora que invocava a necessidade de romantismo entre os adolescentes de nosso tempo, "Lua Nova" transforma a saga "Crepúsculo" em um primário e perigoso chamariz para garotas idealizarem uma figura masculina que nunca existirá, ou seja o que era para ser um "produto" diferenciado que romperia com os padrões atuais em que o sexo acaba sendo explorado cada vez mais cedo, acaba se tornando veículo para uma perigosa alienação juvenil através de estereótipos masculinos idealizados. Afinal de contas, qual a necessidade de tantas cenas dos galãs teens sem camisa? Não é preciso pensar muito... É como se, por acaso(ou não), os envolvidos tivessem encontrado o pote de ouro em uma obra concebida como original e alternativa, dentro de seu gênero, e assim tivessem desvirtuado seus objetivos principais.
Em todo caso, se você é fã da saga, provavelmente o meu texto ou de qualquer outro colega que se permita escrever sobre o filme e não tenha gostado do que viu, fará pouca diferença e certamente causará inquietações. Mas é para isso que nós, que temos uma opinião contrária, estamos aqui. Para oferecer um outro ponto de vista.
Nota: 4,5
New Moon, 2009. Dir.: Chris Weitz. Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattison, Taylor Lautner, Ashley Greene, Michael Sheen, Dakota Fanning, Billy Burke, Cameron Bright, Anna Kendrick, Peter Facinelli, Rachelle Lefevre.
1 comentários:
Pronto! É exatamente o que eu espero o que o filme seja. Gosto muito dos livros, mas odiei o filme "Crepúsculo" nas mãos de Catherine Hardwicke, personagens caricatos e infantis. Eu irei ver esse filme, mas quando a poeira baixar.
Adorei seu espaço Wanderley, virei aqui mais vezes! Abraço.
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