Melhor Filme
A Rede Social
Fácil ser bilionário quando se é simplesmente genial, difícil é manter e criar amizades no mundo em que vivemos. Com a ajuda de seu melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) põe em prática uma sugestão dos atléticos e populares irmãos Winklevoss (Armie Hammer) de criar uma rede social em Harvard, e aperfeiçoa esta ideia. A aproximação com os Winklevoss surge a partir da popularidade de Zuckerberg que cria, logo após levar um fora homérico e bem merecido de sua então namorada Erica Albright (Rooney Mara), em seu quarto no dormitório da Universidade, um site no qual os estudantes elegem as garotas mais bonitas ou feias do campus. A questão é que, a partir desta ideia chauvinista, Zuckerberg cria uma rede de relacionamentos que proporciona a ele a possibilidade de criar o Facebook, uma das maiores redes sociais da internet em todo mundo. Para alcançar a fortuna e o poder, Zuckerberg passa a rasteira em seu melhor amigo e perde o amor de sua vida com a estúpida atitude de agredir moralmente Erica em seu blog. Esta falta de habilidade e cuidado nos relacionamentos do mundo real e o jogo de intrigas e acusações que assistimos em A Rede Social de David Fincher é o irônico e melancólico retrato de uma juventude que torna-se cada vez mais fria e pouco afeita a contatos mais calorosos, relacionamentos verdadeiros que se baseiam em troca e cumplicidade. Fincher realiza com seu filme um estudo de personagem, destrinchando a personalidade antisocial, o raciocínio rápido e a vaidade do criador do Facebook como elementos extremamente nocivos para o mesmo em suas relações no mundo de carne, osso e concreto. Não há um único ponto de vista, não há uma autoria determinada e tampouco a promessa de aproximar pessoas do Facebook se cumpre, não pelo site em si, mas pela forma com que as pessoas desajeitada com que as pessoas estabelecem e rompem vínculos sociais. A Rede Social presta um grande serviço ao cinema no ano de 2010, realizando aquilo que, ao menos na minha concepção, existe de mais fascinante no cinema como instrumento reflexivo: visita e denuncia o comportamento social e político de uma época. A Rede Social, com todas as suas futricas universitárias, é um filme inteligente e completo como um projeto artisticamente alinhado com seu tempo, mas que certamente servirá a outras gerações.
Em anos anteriores: Avatar (2009), Amantes (2009), Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), Pecados Íntimos (2007) e Filhos da Esperança (2006).
Voto dos Leitores
Melhor Filme
A Origem - 44%
A Origem é um verdadeiro enigma. Complexo e repleto de possibilidades de leitura, o filme de Christopher Nolan é protagonizado por um grupo de espiões industriais liderados por Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) que assume uma missão bastante complicada. Acostumados a extrair ideias das mentes de milionários através dos sonhos, o grupo recebe a oferta de um grande empresário para realizar a façanha de inserir na mente de seu principal concorrente a ideia de dividir seu império corporativo. A proposta parece ainda mais tentadora quando o homem promete dar a Cobb, em troca do serviço, livre passagem nos EUA e a possibilidade de reunir sua família novamente. Esta é a premissa de A Origem e tão interessante quanto ela são os desdobramentos que o diretor e roteirista Christopher Nolan dá a mesma. Nolan assume a perspectiva da mente traumatizada de Cobb para traçar a narrativa do longa e o resultado é simplesmente formidável. Cobb permaneceu no limbo, acreditanto piamente em uma realidade projetada pelos desejos de sua mente, ou despertou de seu sono e finalmente reencontrou seus filhos? Meu palpite é o primeiro, mas assim como Dom Cobb sempre parece inseguro quanto a concretude dos acontecimentos, sempre recorrendo ao pião para certificar-se se está dormindo ou se está acordado, certamente nunca teremos esta resposta, afinal como a mente de Cobb exita em reconhecer o real, o ilusório pode parecer tão verossímil e palpável quanto este. A Origem é inegavelmente a aposta mais ousada do ano e demonstra que qualquer ambição cinematográfica de Christopher Nolan vale a pena, afinal existem muitos poucos como ele.
Top 10 - Melhores do Ano

# 3. Toy Story 3
Como o primeiro e o segundo lugar já foram exaustivamente destrinchados anteriormente (#1. A Rede Social e #2. A Origem, escolha do blog e dos leitores, respectivamente), vamos ao terceiro colocado do ranking de 2010. Toy Story 3 é a prova cabal de que, nem mesmo quando existem propósitos comerciais muito maiores que os criativos, a Pixar jamais erra. O estúdio de animação parceiro da Disney realizou um dos filmes mais completos do ano, um filme que supera qualquer expectativa ao fechar de maneira genial uma das fraquias mais bem sucedidas da história recente do cinema. Toy Story 3 é um filme que fala sobre a dificuldade de realizar o rito de passagem para a fase adulta e a importância do desapego material. Desse jeito começo até a pensar que Carros 2 será imbatível em 2011! Afetivamente, Toy Story 3 é imbatível!
# 4. O Garoto de Liverpool
A estreia da diretora Sam Taylor-Wood na condução de um longa metragem surpreende ao utilizar as memórias da irmã de John Lennon para contar uma das passagens mais determinantes da vida deste ídolo do século passado: sua adolescência. Taylor-Wood e seu roteirista, Matt Greenhalgh, acertam ao evitar a obviedade de uma cinebiografia e tratam sobre a maternidade e a importância de referenciais para definir quem seremos na vida adulta, afinal nem mesmo John Lennon (Aaron Johnson), que nunca conheceu o pai, veio de lugar nenhum, sua atenção foi disputada por Julia (Anne-Marie Duff), sua mãe biológica, e Mimi (Kristin Scott Thomas), sua tia que o criou desde criança, durante boa parte do início da formação dos Beatles.
# 5. O Escritor Fantasma
A conturbada vida pessoal de Roman Polanski não pode ser confundida com sua obra. O Escritor Fantasma, filme que teve todo o processo de pós-produção realizado em prisão domiciliar por Polanski, é um grande thriller político. Fazendo o que sabe fazer melhor, Polanski cria conspiração, jogos políticos e um clima absolutamente soturno para contar a história de um escritor fantasma (Ewan McGregor) contratado por um ex-primeiro-ministro britânico (Pierce Brosnan) para escrever sua biografia. O escritor é surpreendido por revelações sobre a misteriosa morte de seu antecessor e sobre uma possível ligação de seu biografado em tramas políticas. Bem executado e bem escrito, O Escritor Fantasma é um filme elegante, sofisticado e que prende a atenção do espectador do começo ao fim, como um bom filme do gênero (só que este aqui é ótimo!).
# 6. Ilha do Medo
Não me canso de defender Ilha do Medo quando seus detratores o acusam de ser somente um exercício de estilo de Martin Scorsese. Não que o novo filme do Scorsa não o seja, ele o é, mas também detém personalidade própria e permite um jogo psicológico interessantíssimo com o espectador na medida em que, assim como A Origem, conta sua trama pela perspectiva tendenciosa e paranóica de seu protagonista, uma mente inegavelmente perturbada por fantasmas do passado. A história segue um detetive, Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), em uma missão na isolada Shutter Island para descobrir o paradeiro de uma das pacientes do manicômio judiciário instalado no local.
# 7. Como treinar o seu Dragão
A DreamWorks era um estúdio de animação rasteiro e que andava na sola do sapato da Pixar, só realizava produções lamentáveis e pouco criativas como Madagascar e O Espanta Tubarões e se mantinha com as glórias de seu primeiro produto, Shrek de 2001. Kung Fu Panda melhorou a imagem da DreamWorks, mas Como treinar o seu Dragão a elevou a outro patamar, sinalizando que o estúdio ainda pode ser uma força criativa que rivalize com a Pixar. A trama de Como treinar o seu Dragão pode até ser "quadradinha" em sua concepção, mas existe tanto sentimento naquele filme, os personagens e a dinâmica que os mesmos estabelecem é tão fascinante que o filme eleva-se a outro patamar, ratificando a força de histórias que por mais que ouçamos várias vezes e de diferentes formas, continuam com o mesmo impacto se existir vida e emoção em sua condução.
# 8. Sei que vou te amar
Muita gente nunca ouviu falar de Sei que vou te amar, produção australiana que colecionou prêmios por onde passou em 2008, mas não há do que se culpar. Lançado com pouco alarde no Brasil, chegando direto em DVD pela Paris Filmes, Sei que vou te amar, ou The Black Balloon no original, precisa ser descoberto. O filme conta a história de uma família australiana que está a espera de seu terceiro membro, a matriarca (Toni Collette) está grávida e em função de sua condição deixa as responsabilidades de cuidar da casa com seu segundo filho, Thomas (Rhys Wakefield). Tudo seria fácil para Thomas, não fosse o fato de ser um adolescente, ter acabado de chegar na vizinhança e ter um irmão autista, o primogênito da família, Charlie (Luke Ford). O filme é tocante, sem jamais ser piegas, e demonstra a habilidade da diretora Elissa Down em explorar dramas familiares e a difícil arte de tolerar as diferenças e de encontrar um lugar no mundo.
# 9. A Fita Branca
O diretor alemão Michael Haneke é mestre em testar nossos nervos, já fez isso em Violência Gratuita e seu remake, em Cache, e agora parte para uma abordagem mais contemplativa e gradual com A Fita Branca. Mas é preciso dizer, A Fita Branca traz consigo todas as características que marcaram a carreira de Haneke, reveladas em seu emblemático desfecho. O filme traz a história de uma comunidade camponesa que vive em um vilarejo no interior da Alemanha, no período que antecede a Primeira Guerra. Abusos começam a ser cometidos contra as crianças do local e misteriosamente os responsáveis pelos atos são castigados. Com seu contundente e meticuloso longa-metragem, Haneke busca as origens do nazismo e da violência que dominaram a Alemanha e que se dissiparam por todo o mundo no século passado.
# 10. Amor sem Escalas
A despeito do péssimo título nacional, Amor sem Escalas não é uma comédia romântica. Mas um cínico retrato dos EUA após a crise financeira de dois anos atrás e um filme sobre necessidade do homem de ter uma companhia. Ryan Bingham (George Clooney) trabalha em uma empresa contratada por outras para demitir seus funcionários, quando os custos da manutenção da rotina de seu cargo já não podem ser sustentados sem restrições pela companhia, ele ganha a companhia de Natalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem funcionária que aperfeiçoa um mecanismo de demissão por tele-conferência. Durante as viagens que realiza pelos EUA para testar o novo método da empresa, Ryan começa a se envolver amorosamente com Alex (Vera Farmiga), uma executiva que, assim como ele, aparentemente parece prezar pela objetividade e evita estabelecer qualquer vínculo amoroso permanente. O roteiro de Amor sem Escalas é brilhante e saborosamente bem escrito, assim como sua direção é bem humorada e preza pela sensibilidade no tratamento de seus personagens. Um filme que valoriza o aconchego e a importância de uma companhia para superar as mazelas da vida.
Total de Menções:
A Rede Social -> 6
A Origem -> 6
Ilha do Medo -> 3
O Garoto de Liverpool -> 2
Toy Story 3 -> 2
Direito de Amar -> 2
Alice no País das Maravilhas -> 2
Minhas Mães e Meu Pai -> 2
Vincere -> 1
Sei que vou te amar -> 1
A Jovem Rainha Vitória -> 1
Onde vivem os Monstros -> 1
Como treinar o seu Dragão -> 1































