Criados por Stan Lee, os X-Men até demoraram para ganhar uma adaptação para as telonas, mas quando ganhou veio para ficar. Com intervalos de dois a três anos entre cada produção, os mutantes da editora de gibis Marvel revelaram astros e diretores para uma nova geração e apresentaram, àqueles não familiarizados, um universo rico e complexo que une ação, ficção científica, dramas sobre a busca da identidade e a questão da segregação racial, tudo em um mesmo pacote. Este é o mundo dos X-Men que o diretor Matthew Vaughn e seu filme X-Men - Primeira Classe pretendem revisitar a partir desta sexta-feira, e já chega com ótimas críticas.
X-Men - O Filme
Ano de Lançamento: 2000
Direção: Bryan Singer
Adiado em função da péssima impressão deixada por Joel Schumacher e seu Batman e Robin, X-Men-O Filme ganhou as telonas pelas mãos de Bryan Singer (na época lembrado por Os Suspeitos e O Aprendiz) sob muita desconfiança. Com receio de que sua história não fosse crível o suficiente (afinal os mamilos nos uniformes e os veículos coloridos fizeram a franquia do Morcegão afundar), Singer apostou na linguagem da ficção científica e no teor político dos HQs da Marvel. Assim, os uniformes amarelos e azuis foram trocados por macacões pretos e a cronologia original foi enquadrada para a linguagem cinematográfica pelo roteiro, opções que rendem até hoje narizes torcidos e críticas raivosas de fãs dos mutantes. No fim, X-Men - O Filme revela-se como um longa econômico e cauteloso, um prólogo muito bem engendrado para o que poderia ainda ser feito naquele universo, caso público e crítica dessem o aval. O aval foi dado e X-Men - O Filme, uma produção competente e muito bem amarrada, abriu as portas para o poderio da Marvel em Hollywood, afinal depois dele surgiram franquias bem-sucedidas como Homem-Aranha e Homem de Ferro. Ah, vale lembrar que a produção criou um astro, o australiano Hugh Jackman, chamado às pressas para assumir o lugar do inglês Dougray Scott, que machucou-se durante as filmagens de Missão Impossível 2 e não pôde assumir o papel de Wolverine, seu desde o início da produção de X-Men - O Filme. Alguém imagina outro ator na pele de Logan?
X-Men 2
Ano de Lançamento: 2003
Direção: Bryan Singer
Com mais dinheiro, X-Men 2 foi uma produção mais ambiciosa. A boa repercussão do filme de 2000 proporcionou a Bryan Singer alçar voos maiores tornando a continuação a melhor adaptação dos mutantes para as telonas. A segunda parte da franquia desenvolveu a trama em torno do Cérebro e trouxe aquele que seria o mote de um provável terceiro capítulo, a transformação de Jean Grey na Fênix. Aqui, Professor Xavier e Magneto unem forças para derrotar uma ameaça em comum, William Stryker, que também tem uma conexão direta com a inserção do adamantium no corpo de Wolverine. Singer foi elogiado e tudo caminhava bem para o diretor acertar os ponteiros com a Fox para um terceiro filme. X-Men 2 foi um sucesso comercial e obteve as melhores críticas da franquia, até aqui, e, apesar do barulho de Homem-Aranha e da fila de adaptações de HQs em andamento na ocasião, os mutantes firmaram-se como o exemplar máximo do "gênero" a conferir maturidade para uma produção com super-heróis. Até aqui, X-Men 2 era a referência Marvel, e de certa maneira continua sendo.
X-Men - O Confronto Final
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Brett Ratner
O sucesso de X-Men 2 revelou uma faceta de Bryan Singer que alguns já conheciam nos bastidores. Com o ego inflado, o diretor abandonou subitamente o terceiro filme da franquia mutante e flertou com a DC Comics, rival da Marvel, o quanto pôde. Resultado? Singer fechou com a Warner para dirigir a esperada nova versão do Homem de Aço, carro-chefe da DC, para os cinemas, Superman- O Retorno. A recepção a Superman-O Retorno, um grande fracasso financeiro também, só não foi pior que o resultado de X-Men - O Confronto Final. Com a saída de Singer, a Fox bateu a cabeça até encontrar o diretor certo para substituí-lo. A primeira opção em mente foi Matthew Vaughn, hoje diretor de X-Men - Primeira Classe e na ocasião recém-saido de Stardust - O Mistério da Estrela. Vaughn recusou alegando temer comandar uma produção tão cara e cheia de efeitos visuais quanto X-Men. Assim, por meses o terceiro filme da franquia teve sua produção ameaçada até que a Fox fechou com Brett Ratner, cria de filmes de ação como A Hora do Rush 3 e do prequel Dragão Vermelho, mas indubitavelmente um cineasta inferior a Singer e Vaughn. Incompreensivelmente mais curto que os demais, X-Men - O Confronto Final é frustrante pois não consegue desamarrar os nós proposital e habilidosamente deixados em X-Men 2. Em menos de uma hora de filme, Ratner e sua equipe exterminam boa parte dos personagens centrais, desenvolve superficialmente um dos momentos mais importantes da cronologia X (a trama da Fênix) e entrega um desfecho pífio para uma série tão promissora. A sensação de que Singer deu o maior passo em falso de sua carreira é latente, o diretor abandonou uma franquia em um momento crucial para realizar um filme medíocre com o maior produto da rival da Marvel, um ícone ainda mais forte que os X-Men: o Homem de Aço. Singer pode ser lembrado como o homem que destruiu duas das principais franquias de super-heróis dos cinemas. Mas ainda há esperança, para os dois.
X-Men Origens - Wolverine
Ano de lançamento: 2009
Direção: Gavin Hood
Apesar da decepção, a Fox ao menos pôde se gabar de ter conseguido uma bilheteria maior que a Warner com Superman - O Retorno. X-Men - O Confronto Final foi muito bem financeiramente e abriu portas para que a produção de filmes solos de alguns mutantes começarem. O primeiro deles era X-Men Origens - Wolverine, contando a origem do personagem de maior sucesso dos X-Men: Wolverine. Hugh Jackman, que praticamente carregou a franquia nas costas com sua composição icônica do mutante Logan, assume a produção e contrata Gavin Hood, africano do vencedor do Oscar de filme estrangeiro Tsotsi, para dirigir a produção. Apesar de alguns pontos positivos, o Dente de Sabre de Liev Schreiber é um deles, X-Men Origens - Wolverine tem pouco ritmo e um roteiro que não explora o potencial de determinados personagens (alguém explica a pífia participação de Gambit aqui?). Talvez tenha deixado uma impressão pior no público que X-Men - O Confronto Final, mas ainda tem fôlego para ter continuidade, apesar dos constantes problemas que tem encontrado na pré-produção. A Fox confirmou interesse na sequência e já sondou alguns diretores para comandar o segundo filme do Wolverine, dentre eles Darren Aronofsky (Cisne Negro) que recusou o roteiro, a especulação mais recente aponta para o brasileiro José Padilha, de Tropa de Elite.




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