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| Daniel Radcliffe e Ralph Fiennes em cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2. |
Contada em oito longas produzidos exatamente em uma década, a série cinematográfica Harry Potter chega a seu fim nos cinemas podendo tranquilamente se gabar como um grande fenômeno e um marco da recente história do cinema. Fenômeno porque extrapolou a esfera cinematográfica na recepção do público, acompanhando uma geração. Trata-se de um marco na indústria porque nunca presenciamos, e talvez nunca venhamos a presenciar (ao menos não tão cedo), uma franquia que permaneceu por dez anos tão coesa e coerente artística e tecnicamente. Por mais que tenhamos nossas preferências aqui e ali por um capítulo da saga, o conjunto da obra é harmônico e seguiu com uma linearidade impressionante, com picos isolados como A Ordem da Fênix e este Relíquias - Parte 2. Nem mesmo franquias sólidas e que povoaram outras gerações como Star Wars, 007 e Indiana Jones (não menciono O Senhor dos Anéis porque trata-se de um caso isolado, afinal toda a série foi filmada uma única vez) conseguiram manter o padrão por tanto tempo, resistindo a fatores como concorrência, quedas no elenco (fenômeno recorrente e que quase não ocorreu aqui) e as mudanças etárias de seu público. Assim, gostando ou não da saga do bruxo de Hogwarts, há que se admitir: Harry Potter é um dos grandes capítulos da história do cinema.
Passada esta breve introdução, deixo meu depoimento pessoal. Nunca fui fã da série, nunca li (nem fiz questão de ler) os livros de J.K.Rowling e nunca entendi tamanho fascínio pelo universo de Hogwarts. Assim, acompanhei com indiferença os primeiros filmes da série e até mesmo os mais recentes não foram suficientes para, na ocasião de seus lançamentos no cinema, mudar minha concepção e assimilação sobre tudo o que envolvia a trama de Rowling. Tudo mudou no último mês. Em decorrência do lançamento do derradeiro episódio da franquia, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, resolvi revisitar todos os filmes da saga no prazo de um mês (o detalhe é que assisti a cada um deles apenas uma vez na minha vida, na ocasião de seus lançamentos nas telonas) e me surpreendi com minha própria reação. Ainda que sejam muitos detalhes para assimilar, e talvez aqui vá uma crítica à série, afinal todo filme deve sobreviver por si só ( e não ficar eternamente dependente de livros, por exemplo), a franquia Harry Potter é um trabalho que no conjunto de sua obra revela-se magistral e fascinante.
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 ganha a urgência e o ritmo que tanto foi cobrado ao último filme, algo bem injusto, entregando um defecho emocionalmente satisfatório a este belíssimo trabalho que começou há mais de dez anos atrás com produção e o posterior lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Trata-se de um revigorante exemplar da indústria cinematográfica que atesta o talento de David Yates e cumpre todas as funções que se espera de um último capítulo. Relíquias - Parte 2 é exemplo para nove em cada dez produções lançadas por ano com orçamentos astronômicos e que não sabem utilizar nenhum de seus recursos tecnológicos a favor da história e do envolvimento emocional das plateias. Yates encerra a franquia como uma revelação e demonstra aqui um amadurecimento na direção tão grande quanto o de seus protagonistas ao longo de tantos anos da saga.
Efeitos digitais orgânicos e pontuais, a acertada e econômica trilha sonora de Alexander Desplat ( que sempre presta uma merecida reverência à composição de John Williams) e a edição são pontos fundamentais e muito bem utilizados em Relíquias - Parte 2. Daniel Radcliffe mostra um grande amadurecimento como ator, segurando em inúmeras vezes as rédeas do filme. Ralph Fiennes finalmente consegue participar ativamente da série como Voldemort, já que, propositalmente, sempre manteve-se à espreita em todos os filmes da série. Além dele merecem destaque Maggie Smith, sempre discretamente competente como a Professora Minerva ( a veterana tem um dos grandes momentos do filme em suas mãos), e Alan Rickman, que torna Professor Snape um dos personagens mais interessantes da série e protagoniza alguns dos momentos mais emocionantes deste filme.
O espetáculo visual e a ação (que aqui enfim pode-se classificar como ininterrupta, ainda que sabiamente abra espaço para assimilações) são atrativos nesse capítulo final da saga Harry Potter, mas não daria ao desfecho da franquia dimensões épicas sem a carga emocional que David Yates e seu eleco conferem a cada passagem deste filme. Obviamente beneficiado pela triste sensação de que não mais veremos e acompanharemos o amadurecimento daqueles personagens, Harry Potter e as Relíquias da Morte- Parte 2 cumpre a expectativa de colocar na tela tudo aquilo que esperávamos de um capítulo final. Rowling e Yates entregam a Harry, seus aliados e ao público a resposta que todos queriam e conseguem pontuar a produção com uma mistura de sensações (saudade, nostalgia...). A sequência final, em que Harry, Rony e Hermione já adultos olham carinhosamente para o trem da plataforma 9 3/4 que levará futuros estudantes a Hogwarts é tão singela, simples, e por isso mesmo uma das mais bonitas. Assim como eles, nós olhamos para tudo aquilo com uma mistura de sentimentos, resgatando o que de mais vibrante a franquia ofereceu em suas oito produções: as emoções e os laços que uniram seus três protagonistas e que permearam a conexão das plateias com aquele universo. Constatar que tudo acabou é, paradoxalmente, triste e terno.
Harry Potter and the Deathly Hallows - Part 2. Dir.: David Yates. Roteiro: Steve Kloves. Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Maggie Smith, Michael Gambon, Tom Felton, Helena Bonham Carter, Robbie Coltrane, Julie Walters. 130 min. Warner.



4 comentários:
Acho que vou adiar minha ida ao cinema para repetir o que você fez, Wanderley, revendo toda a série antes de ir ao cinema. Espero conseguir.
Concordo contigo! Uma franquia que há 10 anos conseguiu ser harmonica e com otima qualidade embora todos nós tenha preferencia por um ou outro filme especifico.
Sensacional o personagem Snape né? Ficou com vontade de assistir de novo =D
Bjs!
Concordo com praticamente tudo do seu comentário, Wanderley. No entanto, pra quem leu o livro, o último filme muda discaradamente algumas coisas e desperta uma certa frustração. Mas, enfim, não deixa de ser bom! Abraços!
Naum tenho tanto conhecimento sobre a obra literária de J.K.Rowling para tecer qualquer comentário comparativo, posso apenas falar das obras cinematográficas, e as acho incríveis. Acredito tb q certas modificações são pertinentes quando se trata de adaptações para o cinema, afinal são veículos diferentes. Mas tá registrado. Valeu, Mrs Dalloway!
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