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| Christopher Plummer e Ewan McGregor como pai e filho em Toda Forma de Amor. |
Antes de Toda Forma de Amor, Mike Mills havia dirigido e roteirizado Impulsividade em 2005, longa de relativo sucesso com Tilda Swinton e Keanu Reeves. Agora parece que o cineasta ganhou a maturidade e sensibilidade artística necessária para realizar Toda Forma de Amor, um longa com sérias chances de receber indicações nas premiações que estão por vir, mas que infelizmente só chega diretamente em DVD e Blu-Ray no Brasil. Aliás, não por acaso, 2011 foi o ano em que filmes do calibre de Toda Forma de Amor, Hanna, Reino Animal e Revolução em Dagenham chegaram somente no mercado doméstico. Fico imaginando o que nos aguarda pelos próximos anos...
Toda Forma de Amor conta a história de Oliver Fields, personagem de Ewan McGregor, que descobre, já adulto, que seu pai é homossexual. Hal Fields se assume gay quatro meses após a morte da mãe de Oliver e decide viver intensamente sua vida. Em meio a toda esta revolução familiar, Hal ainda descobre que tem câncer, estreitando ainda mais os laços entre pai e filho. Oliver então começa a passar por um momento de introspecção em sua vida, questionando suas futuras escolhas e temendo os desdobramentos da mesma.
No título original, Toda Forma de Amor se chama Beginners e o filme acaba tratando destas renovações e mudanças que promovemos em nossa vida. Estamos sempre recomeçando, encontrando novos significados para a vida e isso é extremamente assustador em um primeiro momento. Mike Mills surpreende pela linguagem que incorpora ao filme, fugindo das artimanhas dramáticas e técnicas que já se tornaram clichês no cinema independente norte-americano. O diretor resolveu intercalar sua narrativa com espécies de slides que contextualizam a história dos personagens, o que acaba ajudando o espectador a entender quem são aquelas figuras mostradas na tela: seus temores, traumas, alegrias, tristezas.
Ewan McGregor conduz muito bem toda a narrativa, sendo mínimo em toda a sua composição. Os vínculos que McGregor cria com Plummer, Laurent (um dos melhores casais do ano) e o cachorrinho Arthur (uma aquisição também genial para a produção) são essenciais para estabelecer o vínculo e a empatia do público com toda a trajetória emocional de Oliver, um homem à procura de uma identidade. Já Christopher Plummer é um assombro, o veterano transforma Hal em uma figura viva e plena de felicidade, conseguindo dimensionar ainda a importância que a revelação de que era homossexual produziu em sua vida. É comovente acompanhar Plummer em cena e como ele se apropria dos espírito e graça de seu personagem.
Toda Forma de Amor prioriza as relações e consegue sustentar toda sua narrativa com elegância, emoção e com um humor muito sutil. Mills surpreende com seu novo trabalho, que se sustenta na humanidade de seus personagens, defendidos com muita competência e sensibilidade por Ewan McGregor e Christopher Plummer. Uma pena que as distribuidoras brasileiras estejam cada vez menos receptivas e tenham cada vez menos faro para priorizar determinados lançamentos nas telonas em detrimentos de outros – estamos falando de distribuidoras que cometeram a terrível gafe de lançar Guerra ao Terror diretamente em DVD meses antes do Oscar premiá-lo como melhor filme do ano, então, nada mais surpreende. Toda Forma de Amor supera expectativas e merecia um lançamento, no mínimo, digno.



1 comentários:
Olá, Wanderley, gostei do filme, embora não tanto quanto você. Acho que preciso rever, depois de ter lido seus comentários. Enquanto isso vou colocar o link para sua crítica lá no By Star.
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